" Sou o intervalo entre o que quero ser e o que os outros me fizeram "

domingo, janeiro 23, 2005

O último segundo

Vejo os segundos,
Observo o tempo que passa,
A cada primeiro segundo da última hora de amanha.
Imagino-me mais velho,
Lembro-me mais novo,
Entretanto o presente é passado,
Passo a ser sombra, memória,
È bom ser recordado…
Fui pó, fui alguém, voltei ao pó;
Alfa, Delta, Ómega,
O trajecto incontornável da vida humana!?
Humana, animal, selvagem…
Somos consumidos pelas emoções,
Destruímos o que nos rodeia partimos corações,
Acabamos com um amanhã que não nos pertence…
Nada disso importa mais,
Contento-me em ver passar o tempo…

sábado, janeiro 01, 2005

Morro lentamente

Morro lentamente,
Esvaindo-me em sangue
Pelas feridas abertas da saudade…
Cada segundo longe,
Cravado no peito sem piedade.
A dor da espera tornou-se incontornável,
Cresceu demasiado em mim,
Tornou-se num colosso sempre presente…
As lágrimas como prova de um amor distante,
Dominam os dias, as noites…
Omnipresentes, atormentando o meu espírito inquieto,
Roubam-me a paz a cada instante.
Ahhhhhh, porquê tão longe?
No entanto tão perto, sempre comigo…
Perco o controlo sobre a mente,
Vagabundeando em sonhos surrealistas…
Sonhos que estás aqui,
Não te posso tocar, mas sinto a tua presença.
Mas se é um sonho onde estás senão aqui?
Talvez além, ali… dentro de mim…
Tão perto, do outro lado do espelho.
O amor cresce mais que a saudade
Que cresce com o amor,
Já não distingo se a mentira da verdade,
Estou dormente de tanta dor.
Já não me mexo, limito-me a esperar,
Só a recordação do teu olhar me alimenta,
Tudo o resto é insignificante,
O céu, o mar, a terra… o tempo…
O poder de controlar os elementos já não me pertence,
O sonho acabou e o que era já não é,
Já não é o Mundo a meus pés.
Sem o poder de cindir as águas,
Que posso eu fazer senão esperar?
Esperar, esperar, desesperar…
Será que já é amanhã?
Hoje? Onde estou?
Esqueço-me quem sou,
No novo ciclo que começa…
Um só pensamento me assombra,
Rever-te agora, é tarde demais,
Amanhã é tarde demais,
Morro, é tarde demais…


(Talvez um beijo para me despertar da apatia, talvez os teus lábios me despertem agora que nem mesmo a luz de um novo dia me dá força para acordar)

terça-feira, dezembro 21, 2004

Ícaro

Quero voar, quero subir aos céus…
Estar mais perto do Sol,
Esperar que o calor me derreta,
Apagar a dor da memória transformada na saudade.
Quero ser Ícaro com asas de cera,
Quero ser de cera para também eu me sublimar.
Não mais quero sonhar acordado,
Preciso dos teus olhos para despertar desta apatia que me consome.
Ah pudera eu apagar a distância que nos separa,
Pudesse eu ser Deus só um momento,
Abrir os mares em dois e atravessar em direcção ao céu.
Voar, voar tornaria tudo mais simples…
Já não sei o que quero, já não sei quem sou,
A sensação de estar… de ser incompleto,
Falta-me algo, falta-me alguém, faltas Tu...
Que pare o tempo no momento perfeito,
Que o beijo se estenda para a eternidade,
Que o mundo se esqueça de mim para ser só teu…
Quero ser Ícaro, para derreter e cair no mar,
Para estar sempre, para ser mais perto do céu…




ADORO-TE

domingo, dezembro 19, 2004

Sono...

Tomara ter sono
Tomara adormecer
Hibernar e não acordar,
Não mais despertar...
Esperar pacientemente,
Esperar por ti enquanto sonho connosco...
Com as pálpebras teimosamente fechadas até sentir o teu cheiro, até sentir a tua respiração no meu pescoço, até sentir a tua boca...
Espero pelo fim do inverno,
Espero pelo fim da espera,
Anseio libertar-me deste inferno,
Desta luta contra o tempo.
Cada segundo prolongando-se na eternidade
Inquieta o meu espírito,
Reaviva na memória o sofrimento;
A sempre presente saudade...


segunda-feira, dezembro 06, 2004

Talvez Morrer

Correr sem parar em direcção a nada
Ambicionar nada
A existência destruída, desmantelada
Despida de ambição, de sonhos
Apedrejada por mãos cruéis…
Sentir o espírito esvair-se de mim
Sentir a alma a abandonar-me,
Enquanto as tuas mãos me sufocam,
Enquanto roubas aquilo que nunca tive
A minha vida…
Desfalecendo, aproximando-me lentamente do fim, agradeço-te, agradeço-te pois a Lua nunca foi tão bela como agora. Nunca tinha reparado nas estrelas, nunca tinha pensado em nada… Tiraste-me algo que nunca tive e no entanto não te odeio, simplesmente ignoro a crueldade do teu gesto. Momentos sucedendo-se à frente dos meus olhos, uma sensação de “dejá vu” apodera-se de mim enquanto não percebo que revejo rostos do triste passado que abandono, o mesmo passado que me ostracizou, que fingiu que não era mais do que lixo condenado a deambular pelo mundo, sem destino, sem um fim… Ah, que lufada de ar fresco, que divinal fim precoce, o primeiro dia do resto da minha vida, o promotor da ressurreição. Ter que morrer para renascer das cinzas, o presente que me deste, quando decidiste ignorar as minhas súplicas. Todo um Mundo de sensações e momentos de amor que ofereci, rejeitaste tudo o que tinha para te dar e escolheste o universo da dúvida. Obrigado… OBRIGADO, por me magoares, feriste-me os olhos, o coração, a alma… fizeste-me acordar para a vida, para um novo tempo, fizeste-me reparar na beleza que me rodeia, uma beleza longínqua, talvez de avalon, enviada pelos deuses para apagar as más recordações da vida que nunca me roubaste pois nunca a tive… Oh poder contemplar a perfeição, pedir desculpa a tudo o que ignorei por estar demasiado obcecado com uma jornada de autodestruição, numa jornada de auto descoberta através da dor. Conheço novos limites da minha personalidade, criei um novo eu, um novo ser…alguém que não merece morrer, alguém que deseja mais um dia para mostrar toda a dimensão de um sentimento morto na face da luz. Obrigado…
Obrigado por me teres deixado contemplar a lua,
A última visão, no último segundo,
Sonhar uma vida melhor, no meu último momento…
Acabou-se a dor, acabou-se o sonho,
A alma deixou-me e levou o sofrimento.
Ficaram as recordações, os desejos de uma nova vida,
Foi bom o breve sonho de ressurreição,
Para uma vida que nunca será sentida.

O pintor

A ultima fronteira aproxima-se,
O consumar de uma eternidade de ódio, cada vez mais próximo.
A pele cede ao desejo de carnificina,
A vingança falou mais alto.
Que belo é o meu reflexo no rio de águas turvas que escorre agora a meu lado. O encarnado substitui a paz e a guerra interior é consumada em cada golpe, golpes que se sucedem impiedosamente. Assassínio, suicídio? … O prazer não obedece à lei dos homens, é transcendental… Tomara ser anjo para poder arrancar as asas e precipitar-me no chão com toda a força, com toda a vontade de um ego que me odeia… impossível talvez, mas tenho o aço, esse aliado da dor, do prazer, do passado sombrio. Ah o doce sabor metálico do sangue confundido com a lâmina veloz. O doce beijo do metal frio espirrando a parede de sangue, a ira consumada em pinturas surrealistas monocromáticas. Sinto-me como Dali a pintar a tentação, sou O Pintor Original desenhando um fresco na parede do meu próprio quarto com a minha própria essência de vida. Quero conhecer-me… Quero saber quem sou… Argghhhhhhhh… Preciso de me ver por dentro para me apresentar a mim mesmo, o sádico prazer de abrir a caixa de pandora, vejo formas rubras indistinguíveis ao olhar mais incauto, fundo-me com o aço, sou a lâmina que despedaça o âmago do ser. Ah a doce ironia de desfalecer quando a dor atinge o limiar do suportável… Prazer, prazer, QUERO MAIS! Não sinto nada, quero esventrar a alma, essa ainda vive, quero acabar a pintura. As vísceras pendendo da carcaça putrefacta dificultam o movimento, quero chegar mais alto, quero acabar o quadro, quero pintar as minhas memórias, quero mostrar ao mundo toda mágoa que vive em mim, toda a raiva, todo o sofrimento. O apoteótico berro avisa o fim, “ESTÁ COMPLETO”, um novo testamento de dor foi escrito para as gerações vindouras. A aprendizagem começa agora, o meu último suspiro, o princípio do fim. Posso morrer em paz, já não sinto dor, só o prazer orgásmico de me esvair em sangue enquanto espero pelo ceifeiro. Como é bela a obra, como é bom o fim, como é doce a silenciosa morte…

sábado, dezembro 04, 2004

Agora mata-me outra vez...

Pug

Cai a máscara e revelam-se os sentimentos...

Pug

quinta-feira, dezembro 02, 2004

As palavras que os poetas dizem…

Ser poeta é ser mais alto,
Chorar numa tarde de chuva
Por solidariedade com o céu
È olhar-te de longe,
Por não te conseguir tocar.
É amar-te assim perdidamente
È ser alma, sonho e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente…
È o constante brotar de sentimentos
A convalescença do momento presente
Um contentamento descontente,
Uma prisão libertadora
A mesma que coloca o mundo a teus pés…
Sangrar como quem respira
Sofrer como quem ama
Sorrir como quem morre
Um constante renascimento
Uma Fénix imortal
Perdida no pensamento
De um trovador sentimental
Mudo para as gentes
Desabafando no papel…

Desbafo do momento

Não adianta mentir
A realidade é sempre a mesma
As escolhas são sempre as mesmas
E o fim, o fim...

Não me ouves?
Quem me consegue ouvir?
Demasiado para uma pessoa só...
Não percebes ninguém percebe
E o fim nunca mais chega...