" Sou o intervalo entre o que quero ser e o que os outros me fizeram "

segunda-feira, novembro 29, 2004

Mais um dia esquecido

Mais um dia esquecido,
Perdido na eterna solidão.
A mente deambulatória
Num oriente prometido,
Viajando no coração,
Enfrentando monstros antigos
Para chegar ao novo amor.
Uma nova pagina
Em milhares de livros.
Diários cheios de vida
Da dor interminável
De um futuro, que já não é,
Da repetição de erros
Pais de uma aprendizagem triste
Deste ser abominável.
Homúnculo sem sentimentos,
Dou por mim a esquecer o dia
A abominar o tempo
A lembrar como doía
E ainda dói ser EU.
Querer lutar com o mundo todo,
Para perder minuto após minuto.
Ocultar a cabeça no lodo
Para não mostrar a face,
Para não ter que olhar o sol.
Tentar não voltar a cair,
Nunca mais sentir, talvez,
Esconder-me por trás de mim
E ser outro, enquanto espero,
Sentado, pacientemente pelo fim…
O fim de mais um dia esquecido!

O Vagabundo

Fingindo não ser quem sou
Deambulo pelas ruas do pensamento,
Tentando descortinar quem é afinal
O ego naquele momento.
Monstro medonho com o coração frio?
Petrarca sonhador com o coração partido?
Mendigo algum tipo de sentimento,
Brado aos ventos nomes sem resposta.
Vivo fechado num labirinto,
De ruas sem retorno de escolhas limitadas,
Limitadas pelo espírito enamorado
Libertador da alma prisioneira do medo.
Falo para dentro com raiva
Sem transparecer nada, como um rochedo.
A cada esquina uma nova vida,
Em cada rua um novo dilema.
O âmago soturno, cativo,
Oculto pela máscara que o mundo conhece como EU
Uma pessoa que não existe,
Uma história, um destino que não é meu.
O único desejo, começar de novo,
Nova demanda de existência
Respostas desconhecidas para velhas situações
Um novo teste à paciência.
Ah, como seria bom ignorar todo o Mundo
Fingir que não existe o sofrimento,
Fechar-me numa bolha e desaparecer,
Esconder-me no interior longínquo e profundo.
Um eremita da mente,
Numa viagem de auto descoberta,
Fingir não querer entrar e explorar,
Em cada porta aberta.
Esquecer tudo e todos,
Vaguear sem objectivos definidos,
Desvendar os segredos mais recônditos da mente,
Vislumbrar horizontes outrora perdidos,
Apagados da memória, erradicados do Mundo.
Violar os espaços mais sagrados,
Na odisseia de auto descoberta de um vagabundo.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Post Mortem

Os olhos afogados em lágrimas
A horda revolta em negro
O luto doentio e desconhecido
A tristeza contrasta com o azul celeste
O choro assemelha-se a melodia
Os gritos infernais de quem perdeu
Chora-se a vida teme-se a morte
Saudemos o homem de túnica…
Ceifando indiscriminadamente
Cumpre sua amarga tarefa
Sem remorso, sem pensar
Vivendo para libertar almas
Odiado por todos…
Todos os que ignoram o seu íntimo.
Os que o desconhecem,
Desconhecem a benevolência do seu gesto
Os que o amam; os que o amam enlouquecem!

Chegou a hora…

Olho à volta,
Tudo se move lentamente
A estranha leveza do espírito,
O frio apodera-se do corpo,
O som recusa-se a sair.
Não mais sinto os membros
Porquê, porque não me ouvem?
Vejo imagens distorcidas do mundo
Rostos agora desconhecidos
Traços amorfos de pessoas que amei
Amizades e amores perdidos
Num gesto de desespero.
Perdeu-se a clareza, voltou a indecisão
Desconheço o deserto onde me encontro,
Anseio o regresso a casa.
Revejo pedaços da minha vida,
Arrependo-me do que não fiz,
Arrependo-me do que desejei,
Arrependo-me de não ter sido feliz.
Quero voltar, quero fazer tudo de novo
Quero acertar, quero escolher, quero errar.
Voltar a sentir-me como um todo,
Voltar a viver, viver, VIVER!!!
Ninguém me ouve,
Cruel o homem da túnica
A sua silenciosa resposta dita a sentença
O arrependimento é em vão
Não importa a crença
A morte é definitiva
Queiramos aceitá-la ou não.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh…….
Estava certo no momento
A escolha não me assustava
Bastava querer, ignorar a dor e ir em frente
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh……
Porque é que ninguém me ouviu
Porquê ignoraram o meu grito por ajuda
Não usar palavras não desculpa nada
Deviam conhecer-me, deviam ter lido nos olhos
Deviam ter visto a minha alma desfigurada,
Deviam ter percebido a metamorfose
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh….
Porquê, Porquê, Porquê, PORQUÊ!!!!!!
O Mundo é tão extenso
Alguém devia ter ouvido,
Perguntado o que penso
O porquê do âmago destruído
Porque queria eu o fim
Quando vivia ainda o princípio
A origem do sentimento,
Que havia de me apresentar ao barqueiro
Muito antes do tempo.
Perdeu-se o agora, o antes…
Graças a essa sombra que me invadiu.
Maldito ser, que me atormentou
Maldito aço que me feriu
Maldito sangue que me abandonou.

O início do fim,
Contemporâneo do nascimento,
Quando se apoderou de mim a tristeza,
Do mundo que me acolhia, naquele momento.

Marte

Um olhar indiferente
A respiração ofegante
A inconsciência do momento
O olfacto mente aos sentidos
A insegurança desaparece
Colocas a máscara,
Sorris com lágrimas escondidas
A alma inquieta transparece
Lutas contigo no silêncio
Ocultas as dúvidas
Refugias-te na solidão…

Perdes mais uma vez a batalha
Guardas a dor
Esqueces por momentos, mas…
A dor é cancro
Corrói o coração
A máscara parte…

O tempo não espera
Não regressa
Só cura!

Semente

A semente do ódio que cresce em mim
O trigo perdido no joio
Os olhares petrificantes da ignorância
Desejo sair da rotina
O eterno tédio à minha volta
O indigitado do demo castiga
O prazer da tortura
O ambiente mental de tortura
A corrupção do ser
O soturno âmago do monstro
Liberta a alma, a matriz
Quebra a parede intransigente do ser
O contentamento descontente
A incerteza da mente
Rodeado de gente
Sem conhecer ninguém
Na solidão, sem recurso
Sem diálogo, sem nada
Viver na agorafobia claustrofóbica
A proibição do toque
A síndrome do ouriço
Os espinhos cravados como chagas
Fingindo ser semi Deus
Sobrevivendo à dor
Sucumbindo a mim mesmo
Crucificado na solidão de ser medíocre
Ressuscitado todas as manhãs como Fénix
Morto na dor divina de não saber
A dúvida, pregos imaginários ferindo a carne
Sem morrer, sem nascer, só ser
Ser eu, ninguém…
A semente da discórdia, a semente paradoxal do fim !!!

domingo, novembro 21, 2004

Memórias de um dicidente do amor próprio

Odeio-me!!!
Odeio-me por tanto amar!
Odeio-me e então magoo-me, adoro-me quando me magoo por tanto me odiar! Pudera eu estilhaçar o espelho que revela o monstro que vive em mim.
Odeio-me, respirar, castigo imposto pela carne fraca que não tem a coragem de parar e me mantém preso à vida cobarde!
Odeio-me, mas encontro prazer! Com a dor funde-se o nirvana em orgias de auto-mutilação e rios encarnados que lentamente se esvaem da carcaça pútrida que me prende à consciência, sempre presente, da minha mediocridade, a mesma que me suplica que pare enquanto rejúbilo com o toque suave do aço frio a despedaçar a matriz do meu ser!
Odeio-me, mas, para quê procurar a morte? Sem vida não há sofrimento, sem sofrimento não há o prazer do ódio concretizado em cada momento, em cada golpe, em cada palavra, em cada despedida…
Odeio-me, odeio a ideia de um fim, odiei o princípio e adoro o suplício de esperar por alguém!

evil me

Pug

o eterno metamorfo

Pug

sábado, novembro 20, 2004

A metamorfose vista por um espelho

Ainda lembro os momentos
Todo o amor convertido em ódio
O passado que não retorna
O alfa, o início de "nós"
Toda uma vida que tomava forma
Sonhava perdurar através dos tempos
Reviver as recordações
Imaginar o futuro que seria…
A mudança em ti
Da noite para o dia
O âmago escureceu e a essência apodreceu,
Metamorfose para um ser asqueroso,
Perdeu-se toda a luz.
Nasceu a escuridão, partiu a poesia.
A crisálida rompeu e o ser emergiu,
Brotou do casulo cirro amorfo
Negro como o sentimento que ficou.
Triste futuro para algo tão sublime…
Cativo, preso em redoma de vidro
Arranca as asas por medo de cair
Teme no entanto fugir,
Fugir do que foi e não é mais
Da verdadeira matriz do ser
Da voz, do tacto, do olhar, do amor
A chama que já não ilumina esta 6000000000 parte do mundo
A luz que abandonou o passado
Perdeu-se a clarividência
As lágrimas não brilham mais
O sol esconde-se temendo tal monstruosidade
Os olhares de desprezo
O rancor cresce perante o ego invejoso
Como pode alguém estimar tal ser
Que existência medíocre condenada à eternidade
A divina ironia da fealdade
A antitética imagem interior repetindo-se incessantemente no espelho
A sombra do fim pairando sobre o ombro
Também ela receando aproximar-se perante tal paradoxo
As respostas que ninguém tem
O nome que ninguém quer

O eu que não quer ser Eu e que é alguém que desconhece, que desconheço, que desprezo o mais profundamente e incessantemente, as personalidades que habitam em mim, o perpétuo e soturno conflito interior que consome, lentamente, cada segundo desta miserável vida,

Demasiado curta para amar
Demasiado longa para viver
Demasiado confusa para ser só eu…

As mesmas 4 paredes de sempre,
O mesmo tecto desconhecido de sempre.
A eterna inconsciência do ser,
Sem saber que foi, sabendo quem é.
O grito ensurdecedor irrompendo do silencio
Agonia, sofrimento…
A doce melodia do tempo,
Mais amarga que o fel…
A pútrida carcaça que sustenta o vício,
Esse triste vício de respirar
Algema que prende à vida
Este ser mentalmente amorfo;
Volátil no sentimento
Firme na dor sempre presente;
A psique nos seus segredos
O coração atormentado pelos medos
Medo de ser e não ser,
Medo de não ver a luz ao fundo do túnel,
Medo de acordar e o Mundo ser o mesmo…
Sei que sou mas não conheço o ego.
As pálpebras, cerradas, prendem-me ao sonho,
À vida de olhos abertos para o interior.
Perdido na vastidão que me rodeia
No mesmo espaço vazio
Viajando de quarto em quarto
Até me encontrar…
Que panóplia de formas,
O mesclado de figuras,
Delineadas sempre na mesma cor,
O encarnado do pintor,
Cuja tela mora no corpo,
Na pele ferida pela loucura
Enquanto o triste sonhador,
Perdido, continua a sua procura.
Não sou eu ainda, não me reconheço;
Viro a face dormente para encarar nova paisagem
Penetrando em transe profundo,
Perco-me de novo no meu mundo,
Brado aos ventos meu nome
Na vã esperança de acordar.
Tarde demais para viver
O pintor pintou demasiado,
O corpo rubro denuncia-o.
A torrente escarlate escorrendo do pulso como inundação
Abalroando obstinadamente,
A pouca vida que resta ao sonhador.
Desfalecendo, perdido, só… preso,
Nestas 4 paredes…
As mesmas 4 paredes de sempre
O mesmo tecto desconhecido de sempre

Mais uma das sombras que povoam a minha mente, mais um ego confuso, mais um refugiado da consciencia...

Posted by Pug

A paz é uma dádiva rara...

Posted by Pug

sexta-feira, novembro 19, 2004

Ópio...

A imensidão gelada do pensamento,
Perco-me nesse deserto procurando-te
Encontro memórias que não conheci
Envolvo-me num sono profundo
Pálido, pacífico, como uma criança
Felizes os de fora, que desconhecem a tempestade
O turbilhão que me consome por dentro.
Sonho com momentos de paz,
Paz que foge e se esconde.
Olho em volta e sinto-me só… de novo!
Porque não te encontro? Saberás que eu existo?
Fujo, deixo tudo para trás e corro
Corro em direcção ao infinito
Corro em direcção ao desconhecido
Corro até à exaustão…
Embriagado pelo cansaço, perdido…
Finalmente percebo… não te procuro,
Tento não sonhar contigo
Tento apagar a memória
Cansado de conhecer as mesmas caras
Dos mesmos problemas

Das mesmas horas todos os dias repetindo-se incessantemente enquanto este cirro me corrói sem piedade. Queria viver cada hora contigo mas desperdiço-as a pensar num futuro que não acontecerá, existem demasiados porquês, demasiadas justificações para um não.

Perco-me de novo na insanidade
Voo sem destino em mais uma ilusão;
Não me conheço, não me conhecem
Peço ajuda, mas… quem poderá ajudar-me
Preso na minha própria mente
Torturado por um coração demasiado obstinado para o meu próprio bem
Um viciado nesse ópio que é amar alguém
Aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!
Como odeio o mundo que me rodeia
Que imaginação esta que me tortura mais que a realidade
Porquê, Porquê, PORQUÊ?!!
Não existo de outra maneira
Não quero existir de outra maneira
Só quero o fim, o princípio, a resposta
A solução para o meu não problema…
És tudo o que me transforma em nada,
Apagas a minha existência, o meu ego!
Não mais abrir os olhos senão para te ver
Não mais falar senão para dizer que te adoro
Não mais ouvir senão para entender teu coração
Não mais sentir senão os teus lábios nos meus
Desistir de existir enquanto espero!
Amo-te demais para perceber que…
Que és a minha droga, a minha morte!!!!