" Sou o intervalo entre o que quero ser e o que os outros me fizeram "

sábado, janeiro 01, 2005

Morro lentamente

Morro lentamente,
Esvaindo-me em sangue
Pelas feridas abertas da saudade…
Cada segundo longe,
Cravado no peito sem piedade.
A dor da espera tornou-se incontornável,
Cresceu demasiado em mim,
Tornou-se num colosso sempre presente…
As lágrimas como prova de um amor distante,
Dominam os dias, as noites…
Omnipresentes, atormentando o meu espírito inquieto,
Roubam-me a paz a cada instante.
Ahhhhhh, porquê tão longe?
No entanto tão perto, sempre comigo…
Perco o controlo sobre a mente,
Vagabundeando em sonhos surrealistas…
Sonhos que estás aqui,
Não te posso tocar, mas sinto a tua presença.
Mas se é um sonho onde estás senão aqui?
Talvez além, ali… dentro de mim…
Tão perto, do outro lado do espelho.
O amor cresce mais que a saudade
Que cresce com o amor,
Já não distingo se a mentira da verdade,
Estou dormente de tanta dor.
Já não me mexo, limito-me a esperar,
Só a recordação do teu olhar me alimenta,
Tudo o resto é insignificante,
O céu, o mar, a terra… o tempo…
O poder de controlar os elementos já não me pertence,
O sonho acabou e o que era já não é,
Já não é o Mundo a meus pés.
Sem o poder de cindir as águas,
Que posso eu fazer senão esperar?
Esperar, esperar, desesperar…
Será que já é amanhã?
Hoje? Onde estou?
Esqueço-me quem sou,
No novo ciclo que começa…
Um só pensamento me assombra,
Rever-te agora, é tarde demais,
Amanhã é tarde demais,
Morro, é tarde demais…


(Talvez um beijo para me despertar da apatia, talvez os teus lábios me despertem agora que nem mesmo a luz de um novo dia me dá força para acordar)